A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) não encontrou “indícios de infração disciplinar ou de qualquer ilicitude imputável aos profissionais” do Hospital de Vila Franca de Xira, unidade de saúde da qual um idoso com Alzheimer “fugiu”, no passado dia 8 de abril.
“Da análise realizada pela IGAS ao relatório do processo de inquérito conduzido pela Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, E.P.E. para apuramento dos factos relacionados com esta situação, concluiu-se que o mesmo foi adequadamente instruído, com coleta de evidências documentais e com produção de prova testemunhal”, pode ler-se numa comunicado divulgado no dia 23 de dezembro.
O órgão concluiu, assim, existir uma “manifesta ausência de indícios de infração disciplinar ou de qualquer ilicitude atribuível aos profissionais inquiridos”, além de não se observar “qualquer responsabilidade à Unidade Local de Saúde”.
Contudo, a IGAS ressaltou que “foram identificadas uma série de oportunidades de melhoria em todo o circuito relacionado com a atribuição e gestão de pulseiras anti-fuga, acolhidas pelo Conselho de Administração, em sua deliberação datada de 7 de novembro de 2025”. Nessa linha, também foram identificados “os profissionais responsáveis pela sua implementação”.
“A implementação das medidas de segurança e das oportunidades de melhoria de todo o circuito inerente à atribuição e gestão de pulseiras anti-fuga, bem como o cumprimento rigoroso por parte dos profissionais de saúde, parecem ser suscetíveis de prevenir situações de abandono de utentes do Serviço de Urgência que apresentem alterações cognitivas”, considerou tal órgão.
Recorde-se que o processo foi iniciado em 18 de junho, após o homem de 74 anos ter desaparecido do Serviço de Observação (SO) da Urgência Geral do Hospital de Vila Franca de Xira. O paciente, que “fez uma série de quilómetros sozinho” e “andou cinco horas”, foi encontrado em Arruda dos Vinhos, por populares.
Na ocasião, a administração da Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, responsável pelo Hospital de Vila Franca de Xira, lamentou o incidente e afirmou ter instaurado um inquérito para apurar o que ocorreu. A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) também deverá ter aberto um processo de avaliação.

