Uma Convocatória Sem Graça em Portugal

Uma Convocatória Sem Graça em Portugal

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Às 12h30 de sexta-feira, Roberto Martínez, o treinador da selecção nacional, anunciou os jogadores convocados para a última data FIFA antes do Mundial 2026. Sem a presença dos consagrados Cristiano Ronaldo, Rúben Dias, Bernardo Silva, João Palhinha e, inclusive, Nélson Semedo, o técnico espanhol promoveu a estreia de Mateus Fernandes na seleção principal e o retorno de Tomás Araújo, Rodrigo Mora, Ricardo Horta e Gonçalo Guedes.

Os jogos contra o México e os Estados Unidos, que ocorrerão no Estádio Azteca – na Cidade do México – e no Estádio Mercedes-Benz – em Atlanta –, têm um papel fundamental na consolidação de um estilo de jogo, além de buscarem adaptar a equipe às condições climáticas e atmosféricas da América do Norte, bem como às características técnicas, táticas e físicas apresentadas por seleções de fora da Europa. Portanto, tendo em mente esse objetivo do treinador em preparar os jogadores para a realidade que viverão durante o Campeonato do Mundo, citando suas próprias palavras, “será muito difícil poder entrar” para qualquer jogador que ainda não tenha participado dos trabalhos da seleção.

A tradição das convocações do ex-treinador da Bélgica, desde que chegou a Portugal, revela que não houve grandes mudanças. A base se manteve, com 19 dos 27 convocados atuais fazendo parte da selecção em novembro. Outras opções foram chamadas para suprir as ausências mencionadas. Portanto, com o padrão das convocações, onde o processo, os perfis e os status têm prioridade sobre o momento físico individual, já é possível ter certeza sobre a maioria dos jogadores que estarão no Mundial 2026.

Diante da uniformidade e constância dos jogadores disponíveis, é desafiador oferecer novas análises sobre esta convocação. Na verdade, o retorno de alguns atletas serve para compensar a falta dos jogadores que, mesmo em boa forma, nunca seriam deixados de fora. Por isso, mesmo que se espere que este estágio e o restante da temporada também influenciem as decisões de Roberto Martínez, parece complicado que jogadores como Ricardo Horta ou Samu Costa sejam reais opções para a fase final do Mundial. Ao mesmo tempo, ficou evidente que Gonçalo Guedes ressurgiu no conceito do selecionador, e que qualquer outro atacante português, a menos que CR7 ou Gonçalo Ramos sofram lesões que os impeçam de jogar, não terá chance de representar a selecção. Martínez declarou que “Gonçalo Guedes é um atacante diferente, que dá um perfil diferente,” comparando-o a Diogo Jota, e enfatizou a necessidade de contar com “um atacante muito inteligente, que chega à área, que não seja apenas um ponta de lança, mas que pode jogar pelas laterais e entrelinhas, apresentando boa finalização.” Sobre a ausência de Paulinho, o treinador espanhol disse vê-lo como um jogador com características semelhantes às de Gonçalo Ramos.

Acredito que a posição na selecção deve ser conquistada com base no equilíbrio e no momento físico, e que, portanto, o selecionador deve ser capaz de se adaptar ao perfil dos jogadores que se destacam em seus times. No entanto, consigo entender – até mesmo justificar – a busca por uma identidade, um processo sólido em que, na convocação, o critério principal seja ter “a ligação certa” entre os jogadores, visando uma “execução tática sincronizada” que permita jogar um futebol atrativo, vencer e conquistar troféus relevantes. O principal problema de Portugal, entretanto, é permanecer preso à conquista da Liga das Nações, com o próprio timoneiro chamando-a de “a competição mais exigente de sempre” e, acima de tudo, exaltando um processo de jogo que raramente foi executado. Essa incoerência, que às vezes se aproxima da desonestidade intelectual, impede a evolução. É contraditório que Roberto Martínez afirme que valoriza “um atacante não pelos golos que marca, mas pelas decisões que toma dentro de área” – algo que poderia destacar Paulinho – enquanto elogia constantemente o desempenho de Cristiano Ronaldo, que em 30 jogos sob sua direção, contribuiu apenas com duas assistências.

O selecionador nacional tem um grupo restrito e a maioria das surpresas que observamos nas convocações recentes não passam de “tapa-buracos” para preencher as lacunas deixadas pelos jogadores ausentes. É interessante, mas curioso, que Pedro Gonçalves tenha sido tão frequentemente deixado de lado. Agora, ainda buscando sua melhor forma física, ele é convocado para contribuir. Essas decisões, que aparentam não ter muita lógica, levantam questionamentos.

Esta última pausa para selecções antes do Mundial 2026 é como um ensaio geral. Porém, pela comunicação do treinador, ficou evidente que existem jogadores que irão desempenhar papéis secundários, já que os principais não estarão presentes neste ensaio final. Isso se conclui quando, segundo suas próprias palavras, ele afirma que dar oportunidades a mais jogadores “não traz clareza e não ajuda a ganhar.” Algumas das inovações nesta convocatória são vistas por Roberto Martínez como um mal necessário e não como alternativas viáveis para os convocados tradicionais. Em resumo, esta é uma convocação que carece de conteúdo e que exige uma reflexão muito mais profunda.

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