Numa declaração que faz um panorama do ano de 2025, a organização ambientalista destaca os principais momentos críticos de 2026 para o meio ambiente em Portugal, enfatizando a conclusão e entrega do plano de restauração à Comissão Europeia, prevista para o primeiro dia de setembro.
Esse processo exige, conforme ressalta a Zero, a elaboração de “incentivos financeiros robustos que mobilizem os proprietários privados, que detêm a grande maioria do território rural nacional e sem os quais qualquer estratégia de restauração terrestre estará fadada ao fracasso”.
No que diz respeito às áreas marinhas, será também necessário implementar zonas de proteção estrita para possibilitar a recuperação dos ecossistemas, alerta a Zero.
A associação lembra que, após quatro anos de adiamento, em abril de 2026 deverá ser inaugurado o sistema de depósito e reembolso para embalagens de bebidas de plástico e metal, afirmando que esses sistemas promovem taxas de recolha muito elevadas.
O próximo ano também deverá trazer uma revisão do Roteiro para a Neutralidade Climática e da Estratégia Industrial Verde, ambas mencionadas na Lei de Bases do Clima e ainda a serem concretizadas, conforme aponta a Zero, que frisa que Portugal tem até 31 de julho de 2026 para adaptar a diretiva do Direito à Reparação.
O ano que está para acabar foi, segundo a associação, caracterizado pela “corrida para o abismo do ‘business as usual'” da União Europeia, que aprovou uma agenda de simplificação que é, na verdade, uma agenda de desregulamentação.
A Zero considera que os avanços ambientais positivos em 2025 incluíram a entrada em vigor do Tratado do Alto Mar, a criação da zona de emissões controladas no Atlântico Nordeste pela Organização Marítima Internacional e a implementação, por diversos municípios, de sistemas de gestão e recolha de resíduos urbanos eficientes, além da fundação da Rede Lusófona para o Clima.
Entretanto, entre os fatores negativos, destacam-se a ineficácia na resolução da problemática dos resíduos urbanos e a inércia nas políticas de conservação da natureza em Portugal, exemplificada pela ausência de um Cadastro Nacional dos Valores Naturais Classificados e os recorrentes atrasos na execução da Lei de Bases do Clima.
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