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O Estrela da Amadora está a viver a sua terceira temporada consecutiva na Primeira Liga, após vários anos afastado das atenções, lutando por metas modestas. O clube está em um estágio de afirmação e consolidação na principal divisão, embora o objetivo inicial continue a ser a manutenção, pelo menos até 2025/26. Entretanto, os tricolores prosseguem e, a longo prazo, podem almejar algo mais, como outras equipas atualmente em um nível superior, como Famalicão, Moreirense ou Estoril Praia, que já consideram (ou deveriam considerar) a disputa pelo top 10 como um objetivo mínimo.
A Primeira Liga, no entanto, é conhecida por suas surpresas a cada temporada. Num ano, você está na luta por um lugar nas competições europeias, e no seguinte, se vê envolvido na luta pela sobrevivência, que por vezes tem ‘protagonistas inesperados’. Tudo depende das estratégias e da visão de futuro de cada clube. O Estrela da Amadora possui metas de curto prazo, mas não ignora os planos de médio e longo prazo. Desde a temporada 2023/24, observamos uma evolução clara na Reboleira. Sérgio Vieira estabeleceu a permanência como objetivo e conseguiu atingi-lo. Em 2024/25, José Faria assumiu o balneário e guiou a equipe à continuidade na liga.
Com José Gomes no comando em 2025/26, o clube vive mais um ciclo de consolidação, com João Nuno liderando um projeto que conta com uma figura crucial para o desenvolvimento gradual do Estrela da Amadora: Paulo Lopo. O empresário é o acionista majoritário da SAD e tem conseguido montar elencos competitivos, mantendo o tricolor como uma das equipes ‘favoritas’ na nossa liga.
O Estrela da Amadora tem se destacado, desde seu retorno à Primeira Liga, pelos negócios de transferências e pela valorização de seus ativos. A equipe de Lisboa tem conseguido comprar com baixo custo e vender com preços altos, ganhando reconhecimento no cenário internacional. Kialonda Gaspar foi o precursor de um crescimento que ainda se reflete nos dias de hoje. O angolano passou duas temporadas no clube, após se destacar no Girabola, atuando pelo Sagrada Esperança. O Lecce identificou talento suficiente para contratá-lo por dois milhões de euros durante o verão de 2024.
Os italianos se mostraram satisfeitos e repetiram a dose em 2024/25, trazendo mais dois jogadores, colocando o Estrela da Amadora nas manchetes dos jornais que cobrem o Calcio. Em janeiro de 2025, a equipe, agora sob o comando de Eusebio Di Francesco, adquiriu Danilo Veiga por um milhão e meio de euros e Tiago Gabriel, também pelo mesmo valor. O lateral direito se afirmou com facilidade, enquanto o central precisou esperar pela próxima temporada para revelar seu verdadeiro potencial, sendo cogitado para uma convocação por Roberto Martínez e uma possível transferência para a Premier League.
No mesmo período, o Estrela da Amadora vendeu mais dois atletas por valores consideráveis. Igor Jesus, contratado ao Flamengo no verão anterior por dois milhões de euros, foi vendido ao Los Angeles FC por quatro milhões. Por outro lado, André Luiz (que chegou a ser vinculado ao Benfica) foi adquirido pelo Rio Ave por dois milhões e duzentos mil euros, além dos direitos de Amine Oudrhiri e Fábio Ronaldo.
O impacto imediato dos jogadores vendidos (exceto Tiago Gabriel) fez com que o mercado passasse a confiar no Estrela da Amadora. Após um verão mais discreto (em que os tricolores negociaram Fábio Ronaldo e Chico Banza em transações que geraram pouco mais de um milhão de euros), janeiro de 2025 se destacou significativamente, mas foi claramente planejado. Paulo Lopo não permitiu a saída de jogadores-chave em uma fase tardia da janela, resultando em mais milhões para o clube. Oumar Ngom foi adquirido pelo Lecce (que parece ter se encantado com a qualidade disponível na Reboleira), em um acordo que pode ultrapassar cinco milhões e meio de euros. Sidny Cabral se transferiu para o Benfica por um montante fixo de seis milhões, com mais dois milhões e meio em objetivos.
O meio-campista, seis meses antes, vinha do Pau FC, na Ligue 2. O atacante fazia parte do Viktoria Koln, um clube da Terceira Divisão da Alemanha. Isso não é apenas questão de sorte. O Estrela da Amadora investe no mercado com competência, mirando divisões inferiores em países que têm presença no universo do futebol.
A equipe se preparou para resolver essas duas saídas de modo antecipado, iniciando conversas fora do período de transferências para encontrar substitutos com calma. Deixar para resolver na última hora geralmente se torna um problema, especialmente em janeiro, quando é complicado adquirir destaques de outros clubes.
Nas últimas janelas de transferências, notamos uma tendência dos times da Primeira Liga em focar no mercado espanhol, que já trouxe muitos frutos para clubes portugueses. O Estrela da Amadora, contudo, está indo um pouco além, focando entre França e Alemanha, sem descartar jogadores oriundos de Portugal, como Diogo Pinto, Jorge Meireles ou Abraham Marcus, assim como atletas de nações menos convencionais, como Suécia ou Romênia.
O Estrela da Amadora tem um conhecimento profundo dos mercados nos quais tem investido regularmente, reduzindo a margem de erro na hora de realizar investimentos. Em janeiro, mais cinco jogadores se juntaram à Reboleira vindos do eixo França-Alemanha:
- Eddy Doué (PSG)
- Max Scholze (Ulm)
- Chilohem Onuoha (Colônia)
- Tom Moustier (Essen)
- Dudu (Viktoria Koln)
A direção é clara e promete intensificar. O Estrela da Amadora movimentou-se bastante no mercado de janeiro, pois o lucro possibilitou esse ‘luxo’. A equipe já conquistou a confiança do mercado, com jogadores se destacando na Serie A e na Primeira Liga. Isso também faz com que o clube se torne mais exigente na hora de negociar. É provável que Tiago Gabriel ou Danilo Veiga possam ser vendidos por montantes maiores em janeiro de 2026.
Paulo Lopo comentou recentemente em uma entrevista que gostaria que o Estrela da Amadora alcançasse a marca de 15 milhões de euros na próxima temporada, e essa meta é viável, pois o plantel conta com vários jogadores de qualidade, que certamente atrairão interessados. Os tricolores mantêm uma postura firme, mas os clubes acabam cedendo, devido aos desempenhos que Kialonda Gaspar, Tiago Gabriel e Sidny Cabral têm demonstrado em suas carreiras.
O Estrela da Amadora não busca fazer milhões com jogadores mais experientes, essa não é a sua missão. Renan Ribeiro, Jovane Cabral (ainda que com apenas 27 anos) ou Rodrigo Pinheiro não gerarão lucro. No entanto, seus ensinamentos são essenciais para o desenvolvimento dos mais jovens. Otávio, Bernardo Schappo, Luan Patrick, Robinho, Paulo Moreira ou Ian Stoica têm potencial para crescer (excluindo os que chegaram em janeiro de 2026) e ajudar a cumprir os desejos de Paulo Lopo.
Recentemente, foi reportado que os tricolores recusaram a venda de Bernardo Schappo e Abraham Marcus. Para o defensor, que era alvo do Botafogo, o clube pediu dois milhões de euros. Já o extremo era desejado pelo Athletico Paranaense, que chegou a oferecer dois milhões e meio de euros. A estrutura optou por manter os jogadores, considerados fundamentais para João Nuno.
A prioridade do Estrela da Amadora é manter o elenco até o final da temporada, a fim de cumprir os objetivos de manutenção e garantir uma temporada estável, abrindo margem para negociações no verão, com a expectativa de estabelecer valores ainda maiores por seus atletas. Na Reboleira, há uma linha de pensamento e é isso que facilita o crescimento. As movimentações são feitas onde há conhecimento, evitando apostas arriscadas.
Se a equipe conseguir garantir a permanência, praticando um futebol de qualidade, algo que João Nuno já demonstrou ser capaz de implementar, o Estrela da Amadora deverá atrair ainda mais olheiros em busca de suas ‘joias’. Uma situação que merece acompanhamento nos próximos mercados.

