Uma possível interrupção na distribuição de jornais poderá “agravar assimetrias territoriais e contribuir para o isolamento informativo das populações do interior”, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, um dos oito distritos onde a VASP poderá realizar ajustes na distribuição.
A câmara, juntamente com a Biblioteca Municipal António Salvado, é assinante de jornais regionais (Reconquista, Gazeta do Interior e Jornal do Fundão) e publicações nacionais (Correio da Manhã, Público, Expresso, Jornal de Notícias, Jornal de Letras, Jornal Tribuna Desportiva, Bola, Record, Visão, National Geographic, TV 7 Dias e Caras).
No total, o município possui 21 assinaturas de títulos nacionais, que somam anualmente cerca de dois mil exemplares; juntos com os regionais, ultrapassam os 11 mil exemplares por ano.
A autarquia destaca a necessidade de buscar alternativas que minimizem os impactos sobre editores, pontos de venda e comunidades, além de soluções que assegurem a continuidade da distribuição, garantindo que “os cidadãos do interior não sejam privados do direito fundamental à informação e ao acesso livre e plural a uma imprensa atual e de qualidade”.
A mesma posição é compartilhada pelo presidente da Câmara de Mogadouro, António Pimentel, que destacou que a suspensão da distribuição seria “mais uma machadada na coesão territorial e na dinamização do interior”.
“Os jornais precisam chegar diariamente às sedes de concelho do interior”, enfatizou o presidente do município do distrito de Bragança, que investe anualmente 1.500 euros na aquisição de jornais diários e semanais regionais para a câmara e biblioteca municipal. Os títulos comprados incluem o Mensageiro de Bragança e o Jornal Nordeste, além do nacional Jornal de Notícias.
Na biblioteca, além desses, estão disponíveis o Público e o Jornal de Letras, assim como as revistas TV 7 Dias, Visão, Caras, Super Interessante, Visão Júnior e Exame Informática.
Em Vila Real, a câmara investe anualmente 3.490 euros em títulos para o gabinete de comunicação e para a biblioteca municipal, incluindo os nacionais Público, Jornal de Notícias, Diário de Notícias, um desportivo, o semanário Expresso e as revistas Visão e Ler (mensal), além dos locais A Voz de Trás-os-Montes e Notícia de Vila Real.
Segundo a autarquia, apenas para o gabinete de comunicação são adquiridos anualmente 936 jornais, entre dois diários nacionais e os semanários locais, com um custo de 864 euros.
A Câmara da Guarda não detalhou o investimento, mas compra, para o gabinete da presidência, dois diários nacionais (Público e Jornal de Notícias), o Expresso e “alguma outra publicação periódica esporádica que a presidência necessite”.
O município tem assinaturas de três jornais locais (O Interior, A Guarda e Jornal do Fundão) para o gabinete da presidência e para os gabinetes dos três vereadores com pelouros.
Assina também os dois títulos locais para o Teatro Municipal da Guarda (que os disponibiliza no café concerto). Para a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, são adquiridas 11 publicações, cinco das quais são regionais (O Interior, A Guarda, Jornal do Fundão, Praça Alta e Magazine Serrano). Os restantes são o Público, A Bola, Record, Jornal de Letras, Le Monde Diplomatique e Expresso.
No distrito de Beja, a Câmara de Castro Verde investe 601,25 euros mensalmente na aquisição de jornais e revistas para as bibliotecas municipal e escolar, informou o vice-presidente, David Marques.
Na Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, há leitura disponível de quatro jornais nacionais, dois regionais e nove revistas de diferentes áreas. Na biblioteca escolar, estão disponíveis dois jornais diários e uma revista semanal.
No distrito de Évora, Viana do Alentejo fornece jornais para o gabinete de apoio à presidência da câmara e para as três bibliotecas municipais.
A autarquia destacou que a compra de revistas e jornais nas papelarias tem um custo total de 430 euros mensais.
Além disso, gasta 576 euros anualmente na assinatura de um jornal regional, cujos exemplares são distribuídos nas três bibliotecas e no gabinete de apoio à presidência.
Ainda no Alentejo, em Arronches, no distrito de Portalegre, o município adquire jornais e revistas de segunda a sexta-feira para distribuição nas bibliotecas municipais e juntas de freguesia, que, por sua vez, os distribuem pelos centros de lazer.
O presidente, João Crespo, informou à Lusa que algumas associações e coletividades locais também compram jornais para seus espaços, mas não sabe se isso acontece nas redes escolares.
“Nos dias úteis compram-se jornais e revistas. Nos fins de semana não, vendem-se sempre menos jornais e penso que o único espaço comercial que os vende não abre aos domingos”, explicou.
A exceção à oferta de jornais adquiridos pelo poder local ocorre, por exemplo, no município de Tondela, no distrito de Viseu, onde nem na câmara nem na biblioteca é possível folhear títulos nacionais.
Na Escola Secundária de Molelos, no agrupamento Cândido de Figueiredo, os alunos têm acesso diário ao jornal Público e no agrupamento Tomaz Ribeiro são disponibilizados jornais regionais, conforme apurou a Lusa.
No início do mês, a administração da VASP anunciou estar a avaliar a necessidade de realizar ajustes na distribuição diária de jornais nos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança.
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