"I Believe": Análise da vitória do Vitória SC sobre o Sporting por 2

I Believe: Análise da vitória do Vitória SC sobre o Sporting por 2

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«Eu Acredito». Essa poderia ser a declaração de um grupo de adolescentes da década de 80 ou de um resort britânico sob a direção de um treinador norte-americano sem muita experiência em futebol. De fato, o Vitória SC de Luís Pinto, Stranger Things e Ted Lasso têm algo em comum: todos eles acreditaram. Por mais que um plano tático esteja meticulosamente elaborado, ele não vale de nada se não houver confiança de que é possível fazer história; e foi exatamente isso que ocorreu: uma verdadeira história.

O Vitória SC jamais havia alcançado a final da Taça da Liga, e isso aconteceu após uma incrível virada contra o Sporting. Aos 13 minutos, Luis Suárez abriu o placar e chegou à marca de 20 gols pelo Sporting. Nos acréscimos, Alioune Ndoye anotou duas vezes (90+2’ e 90+11’) e provocou uma verdadeira festa em campo. No panorama geral, segundo dados do Playmaker, esta é a 12.ª final que o Vitória SC atinge, sendo a primeira desde 2017, quando competiu na Supertaça. Para detalhar, das 11 finais anteriores, o Vitória SC conquistou a Supertaça em 1988 e a Taça de Portugal em 2013.

Conforme explicou Luís Pinto ao Bola na Rede, houve ajustes na estratégia do Vitória SC desde o último confronto contra o Sporting. Sem bola, variando entre o 4-2-4 e o 4-2-3-1 mais avançado, Luís decidiu incluir um jogador extra na pressão nos momentos iniciais da construção dos leões, especificamente um dos extremos, seja Oumar Camara ou Noah Saviolo. De acordo com o técnico, essa abordagem não mudava independentemente da forma como o Sporting construísse suas jogadas (2+2 ou 3+1). Já no momento de posse de bola, o foco do Vitória SC ficou em explorar o corredor central, com Beni Mukendi junto a Diogo Sousa sendo os responsáveis pelas chaves do jogo.

Além da organização tática, da crença e do brilho de Alioune Ndoye, a vitória marcante do Vitória SC também foi atribuída a outro jogador: Charles. É evidente que a conquista foi fruto de um esforço coletivo, mas o goleiro teve um papel crucial ao segurar o Vitória SC em momentos chave contra o avanço ofensivo do Sporting. Ao todo, Charles fez oito defesas, sendo que seis delas ocorreram dentro da área. Esta, portanto, não foi a noite ideal para o Sporting, que além da eliminação após uma reviravolta dramática, também viu dois de seus jogadores se lesionarem: Fotis Ioannidis e Eduardo Quaresma, o último precisou até sair de maca.

«Não é a quantidade de lesões musculares que está nos fazendo perder jogadores. São situações que não temos controle. Mesmo sendo otimista e não me deixando levar por isso, a minha maior frustração é sair daqui com menos dois jogadores para o próximo jogo», declarou Rui Borges em coletiva de imprensa, salientando que a questão das lesões «jamais será utilizada como desculpa». «Poderíamos ter feito o 2-0, mas não o fizemos e o adversário acreditou e foi feliz nos minutos finais», acrescentou.

Assim como os fãs de uma certa série, o Vitória SC aguarda ansiosamente — no melhor sentido — o último episódio, um que termine de forma mais satisfatória. Primeiro, precisarão descobrir quem será o próximo adversário, que pode ser apenas um entre dois: Benfica ou Braga. Esta segunda semifinal da Taça da Liga está programada para a quarta-feira às 20h00 no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria. O Vitória SC e Luís Pinto seguramente continuarão a gritar «Eu Acredito». E você, acredita?

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Taticamente, quais foram as mudanças na estratégia desde o último jogo contra o Sporting, tanto com a bola quanto sem a bola, para alcançar este resultado?

Luís Pinto:No momento em que não temos a bola, decidimos colocar um jogador a mais na primeira pressão. No primeiro jogo, somente quando o Sporting construía a partir de uma formação de três, é que colocávamos um dos nossos extremos mais altos. Neste confronto, optamos por manter sempre um extremo alto: seja o Camara ou o Noah [Saviolo], independentemente de como estivessem a construir (2+2; 3+1). Com isso, aumentamos os números em nossa primeira pressão, criando dificuldades adicionais. Até mesmo quando a bola foi recuada para Rui Silva — que ocorreu com frequência — conseguimos manter a pressão e estar mais adiantados. Do ponto de vista defensivo, essa foi a principal mudança. No aspecto ofensivo, buscamos atuar mais pelo corredor central no meio campo ofensivo. Tentamos fazer nossos médios jogarem mais. Principalmente na primeira parte, não exploramos o corredor central tanto quanto poderíamos, mas quando fizemos, tivemos posse de bola e até criamos uma oportunidade com um chute de Diogo Sousa fora da área. Na segunda metade, conseguimos nos conectar mais vezes, explorando as costas dos médios. Acredito que essas foram as principais diferenças que tentamos implementar e que acabaram se refletindo em campo, surtindo efeito.

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