A avó de Alfie Hallett, o jovem de 13 anos que foi assassinado pelo ex-companheiro da mãe em 23 de dezembro na aldeia de Casais, perto de Tomar, compartilhou suas lembranças com a imprensa britânica.
Em entrevista ao Daily Mail, Linda Hallett expressou sua “devastação” pela perda de Alfie, descrevendo-o como um “menino encantador e gentil, com um coração generoso”.
Conforme a avó britânica, o garoto “perdeu a vida ao tentar proteger sua mãe”.
Alfie nasceu em Brighton, no Reino Unido, e passou alguns anos na cidade próxima de Bognor Regis. Contudo, após o divórcio dos pais, a mãe, que também é inglesa, decidiu se mudar para Portugal com seu então namorado, alegadamente um português chamado Paulo, residente em Tomar.
Com apenas quatro anos, Alfie se mudou com sua mãe e seu companheiro para o distrito de Santarém em 2016, conforme relata Linda.
Nesta época, lamenta a avó, a mulher saiu com o filho sem a autorização do pai, Mark.
Embora o relacionamento com Paulo tenha chegado ao fim, a mãe de Alfie optou por permanecer em Portugal, onde conheceu Gonçalo Carvalho, o responsável pela morte do filho.
Pai de Alfie faleceu em fevereiro
Linda Hallett, avó de sete netos, comentou ao Daily Mail que a última vez que viu Alfie foi em 2018, durante as comemorações natalinas com a família do pai. Desde que se mudara para Portugal, as interações se tornaram escassas.
De acordo com a britânica, “em dezembro daquele ano, Mark [o filho] viajou para Portugal e conseguiu autorização do tribunal português para entrar em contato com Alfie” e levá-lo de férias para a Inglaterra.
“Foi maravilhoso rever o Alfie. Lembro como ele ficou alegre ao ver o pai e o irmão, Rocco”, ela explicou, acrescentando que seu filho tinha um “novo relacionamento e um segundo filho que Alfie nunca havia conhecido”.
Durante duas semanas, foi como um sonho. “Mark mimou o filho. Foram visitar o Papai Noel, e passearam no Mercado de Natal em Winchester, Hampshire. Naquela época, Mark morava em Tangmere, perto de Chichester, e passamos o Natal em sua casa. Toda a família estava lá, e foi uma memória que nunca esquecerei. Foi a última vez que estivemos todos juntos”, lamentou.
Insegura sobre a situação de Alfie em Portugal, a avó buscou entender como estava a vida dele com a mãe. O menino parecia “feliz, gostava de sua vida”, embora, às vezes, reclamasse “do calor”. Ele também demonstrava saudade da Inglaterra, mas “era tão feliz naqueles dias. Era uma criança alegre que adorava cantar e dançar”.
Com o passar dos anos, a família não conseguiu se reunir frequentemente, apesar de Mark tentar contatar Alfie regularmente por videoconferência. Em fevereiro deste ano, Mark, que tinha problemas cardíacos, faleceu após contrair septicemia.
“Gosto de imaginar que Mark e Alfie estão juntos novamente em algum lugar”, compartilhou ao Daily Mail, revelando que se sente aliviada pelo filho não ter vivido a dor da perda do neto.
“Acho que para ele a dor teria sido insuportável”, comentou.
Assassino de Alfie tinha um histórico de homicídio
Linda soube da morte do neto no dia seguinte ao crime, por volta das 9h30. Foi a filha, tia do menino, quem a informou após uma chamada de “uma amiga”.
Vale lembrar que Alfie foi morto a facadas pelo ex-companheiro da mãe, Gonçalo Carvalho, que já havia sido condenado por outro homicídio. Conforme o Jornal de Notícias, em 2002, o assassino, que lutava contra a dependência química, matou um traficante cego com 37 facadas.
Após cumprir parte de uma pena de 12 anos por esse crime violento, Gonçalo se envolveu com a mãe de Alfie.
Os incidentes de violência eram frequentes, e a mulher já havia apresentado queixa contra ele em 2023. Apesar disso, Gonçalo era frequentemente visto na residência, e os vizinhos relataram momentos de tensão à imprensa.
O trágico evento ocorreu no dia 23 de dezembro, véspera do Natal. Alfie foi assassinado após testemunhar sua mãe sendo agredida. A mulher e um membro da Guarda Nacional Republicana (GNR) também sofreram ferimentos quando Gonçalo, após assassinar o enteado, provocou a explosão na casa.
Desta vez, o criminoso não enfrentará a justiça, pois também faleceu na explosão.
Está enfrentando dificuldades emocionais, ou passando por situações de violência física ou psicológica? Ou conhece alguém que esteja em perigo? Reunimos aqui todos os contatos de apoio, gratuitos e confidenciais, para solicitar ajuda ou orientar quem precisa.
Leia também: Clube lamenta a morte do jovem em Tomar: “Você ficará em nossos corações”

