A economia da China enfrenta novos desafios à medida que seu setor exportador sofre um golpe considerável, registrando uma queda acentuada de 14,5% em julho. Essa queda, a maior em mais de três anos, destaca o impacto da demanda global enfraquecida e coloca mais pressão sobre Pequim para revitalizar sua economia.
Os dados mais recentes divulgados pelas alfândegas chinesas revelam uma contração significativa no valor das exportações, medido em dólares americanos, marcando a maior queda desde fevereiro de 2020, um período impactado pelo surto inicial de Covid-19. Notavelmente, essa é a terceira queda consecutiva das exportações.
Especialistas da Capital Economics sugerem que a magnitude dessa queda é parcialmente influenciada por números elevados de julho do ano passado e uma subsequente diminuição nos preços de exportação. Após ajustes por fatores sazonais e flutuações de preços, esses analistas estimam que o volume de exportações em julho caiu ligeiramente apenas 0,9% em comparação com junho.
Apesar dessa perspectiva sutil, as previsões indicam que as exportações podem enfrentar um novo contração nos próximos meses. Essa projeção decorre da observação mais ampla da diminuição da demanda global, impulsionada pelo desmantelamento das distorções relacionadas à pandemia e ao aperto das políticas monetárias, que afetam os padrões de consumo.
Os analistas enfatizam o cenário desafiador para o consumo nas economias desenvolvidas, levantando preocupações sobre possíveis recessões leves que podem surgir ainda este ano.
Nos primeiros sete meses do ano, as exportações da China apresentaram uma diminuição acumulada de 5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Um dado especialmente impressionante é a queda de 13% nas remessas para os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial.
Durante a pandemia, as exportações se destacaram como um aspecto raro positivo, oferecendo apoio vital enquanto a China enfrentava lockdowns rigorosos devido à Covid e um mercado imobiliário fraco. Essas exportações contribuíram com 17% para o PIB da China no ano passado. No entanto, a dinâmica mudou desde outubro passado devido ao aumento da inflação e das taxas de juros, que constrangeram a demanda global.
O cenário de exportações em declínio representa um novo revés para a economia chinesa, que recentemente perdeu impulso após um começo robusto no ano. Sinais de deflação estão se tornando mais evidentes, levantando preocupações sobre uma fase prolongada de estagnação.
Os dados recentes também ressaltam uma queda de 12,4% nas importações em julho, uma diferença significativa em comparação com a projeção de queda de 5%. Essa redução nos volumes de importação enfatiza um esfriamento da demanda doméstica da China, com os níveis de importação atingindo o ponto mais baixo desde o início do ano.
Os analistas de mercado agora defendem que Pequim adote medidas decisivas para fortalecer sua economia, incluindo esforços substanciais voltados para estimular a demanda. Uma estratégia possível poderia ser a depreciação da moeda, tornando as exportações chinesas mais competitivas, o que poderia ajudar na recuperação das exportações e do panorama econômico mais amplo.
Recentemente, o Banco Popular da China, que é responsável por estabelecer a faixa de negociação diária do yuan, definiu um ponto médio de 7,1565 em relação ao dólar americano, ligeiramente mais fraco do que no dia anterior. Essa ação provocou uma queda no mercado de câmbio, com o yuan offshore registrando uma diminuição de 0,3% em relação ao dólar americano.
Até o momento, as medidas de política implementadas por Pequim, embora destinadas a estimular a economia, ainda não tiveram um impacto considerável nos investidores. Diante desse contexto, a depreciação da moeda pode servir como uma ferramenta para revigorar as exportações e facilitar a recuperação econômica geral.
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