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Braga e Benfica protagonizaram um dos confrontos mais intensos desta temporada na Primeira Liga, com um empate a 2-2 no Estádio Municipal de Braga, um jogo repleto de emoções na 16ª jornada do campeonato. Taticamente, o treinador José Mourinho decidiu incluir Leandro Barreiro no onze inicial, após uma ausência de dois jogos devido a lesão. Considerando o estilo de jogo adoptado recentemente pelo técnico do Benfica, que se mostra necessário devido à falta de jogadores com características decisivas, a equipa encarnada optou por um ataque mais centrado, privilegiando o corredor central com a aproximação de vários jogadores, incluindo Aursnes, Sudakov e Leandro Barreiro, apoiados por Enzo Barrenechea e Richard Ríos.
Com esta concentração de jogadores numa zona tão crucial para o Braga, Carlos Vicens recorreu a dinâmicas já vistas no jogo contra o FC Porto, tanto na estrutura como nas escolhas do onze inicial. Pau Víctor foi novamente um dos protagonistas e teve uma importância fundamental no jogo. Nos primeiros 30 minutos, o Braga demonstrou uma clara superioridade sobre o Benfica, controlando o meio-campo adversário. Tal como aconteceu no Estádio do Dragão, Pau Víctor desempenhou um papel híbrido, frequentemente recuando para reforçar o centro do campo e atuar como um quarto ou quinto médio na saída de bola. Essa posição não só criou vantagens num setor-chave, como também causou confusão na linha defensiva do Benfica. Se Otamendi se deixasse atrair, o Braga aproveitava para explorar a profundidade com passes longos direcionados a Ricardo Horta ou Leonardo Lelo.
Após algumas dificuldades no início de temporada para maximizar o potencial de jogadores como Rodrigo Zalazar e Ricardo Horta, que frequentemente estavam confinados aos flancos, é importante reconhecer a adaptabilidade de Carlos Vicens. No embate contra o Benfica, a movimentação e a sinergia entre Zalazar e Horta mostraram-se essenciais, dados os altos níveis de inteligência e habilidade técnica de ambos. Muitas vezes, Horta movia-se do flanco esquerdo ou do centro para o flanco direito, o ponto forte do Braga, colaborando com o médio uruguaio para criar vantagens na partida.
O Braga conseguiu conduzir o jogo para a esquerda antes de acelerar à direita e beneficiou da versatilidade e confiança de Víctor Gómez. Integrado no sistema híbrido de Carlos Vicens, o lateral espanhol cumpriu várias funções: fez de defesa-central na organização defensiva, atuou como lateral em determinados momentos e frequentemente apareceu em zonas interiores na fase de ataque, contribuindo para as superioridades criadas.
José Mourinho reagiu defensivamente com uma nova abordagem, posicionando Fredrik Aursnes na linha de cinco à direita, tentando neutralizar a mobilidade do Braga, principalmente monitorando Ricardo Horta ou Leonardo Lelo, conforme suas posições. Contudo, o Braga conseguiu, em várias ocasiões, impor-se e pressionar os médios do Benfica, comprometendo a reação e dificultando saídas efetivas para o ataque, com Richard Ríos e Enzo Barrenechea frequentemente alinhados com os centrais e laterais do Benfica.
A resposta de Mourinho surgiu ainda na primeira parte. Amar Dedić começou a pressionar mais alto sobre Leonardo Lelo, liberando Aursnes de algumas responsabilidades defensivas, permitindo que o Benfica, ao recuperar a bola, beneficiásse da liberdade posicional do médio norueguês. Leandro Barreiro também teve uma vantagem com esta alteração, pois passou a contar com referências mais próximas e melhor equilíbrio posicional à medida que o Braga atacava pelo lado esquerdo, principalmente através de Arrey-Mbi.
O Benfica alcançou a vantagem aos 29 minutos, com um cruzamento de Georgiy Sudakov que resultou em um cabeceamento preciso de Nicolás Otamendi. No entanto, a reação do Braga foi imediata e eficaz. Rodrigo Zalazar converteu um pênalti aos 38 minutos e, já em tempo de compensação (45+1’), Pau Víctor colocou os minhotos à frente do placar antes do intervalo.
No segundo tempo, o Benfica exibiu uma postura mais agressiva, tanto em confrontos diretos quanto na recuperação da bola. Com a posse, arriscaram passes verticais e uma circulação rápida de lado. Assim como o Braga fizera anteriormente, o Benfica começou a atrair o jogo pelo corredor esquerdo, com Samuel Dahl realizando combinações e jogando apoiado, para depois explorar o flanco direito, onde Fredrik Aursnes e Amar Dedić se destacavam. Foi deste lado que surgiu o empate, através de um fabuloso remate de Fredrik Aursnes.
A melhoria no ataque do Benfica deveu-se, em grande medida, à influência de Georgiy Sudakov, Fredrik Aursnes e Vangelis Pavlidis. Os dois médios apresentaram um timing superior nas suas movimentações, buscando receber a bola entre as linhas e posicionar-se bem. Pavlidis, por outro lado, passou a recuar para colaborar no jogo, oferecendo mais opções de passe, algo que não havia conseguido na primeira parte devido à pressão intensa do Braga. Otamendi e Tomás Araújo mostraram-se mais confortáveis com a bola, tanto no passe quanto na condução, com o defesa português criando uma grande ocasião para recolocar o Benfica na frente do marcador.
Em declarações ao Bola na Rede, Carlos Vicens assumiu que a equipa perdeu parte da mobilidade demonstrada na primeira parte, buscando a profundidade de forma excessiva. Esta diminuição permitiu ao Benfica conquistar mais segundas bolas e manter ataques continuados.
Apesar disso, o empate persistiu até o final. O Benfica não conseguiu encurtar distâncias em relação aos seus rivais, estando agora a cinco pontos do Sporting e podendo chegar a dez pontos do FC Porto, caso os dragões vençam o Arouca. Já o Braga perdeu a oportunidade de assumir a quarta posição, após o empate do Gil Vicente, e permanece a um ponto da formação de César Peixoto.
Este empate pode ter sido a última gota nas ambições do Benfica em relação ao título?
BnR na Conferência de Imprensa
Bola na Rede: O Braga mostrou novamente uma mobilidade impressionante no ataque e criou várias dificuldades ao Benfica na primeira parte, especialmente através da criação de superioridades nos flancos. Gostaria de saber: quão importante é para a dinâmica do Braga posicionar jogadores como Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar no mesmo flanco para dificultar as tarefas defensivas dos adversários?
Carlos Vicens: Sim. Ao preparar as partidas e as dinâmicas de ataque, é fundamental para nós que os jogadores consigam criar ligações entre si, sabendo que, a partir de uma organização que tem sido comum nos últimos meses, eles devem ser capazes de ocupar espaços no campo que garantam linhas de passe úteis para uma transição ofensiva. As equipas nos estudam, tentando organizar-se para dificultar a nossa saída para o ataque, e é aí que precisamos proporcionar esse dinamismo. Na segunda parte, também faltou esse dinamismo, em parte devido à falta de frescura, algo normal. Tivemos que buscar a profundidade mais do que desejávamos. Além disso, não conseguimos ganhar muitas segundas bolas, o que resultou em mais ataques contínuos para o Benfica do que para o Braga. Portanto, é um aspecto do jogo que nos tem sido vantajoso, mas precisamos continuar a trabalhar para aprimorar isso no futuro.
Bola na Rede: Na primeira parte e no processo defensivo, o senhor posicionou Aursnes à direita na linha de cinco, mas o Benfica pareceu ter dificuldades em lidar com a mobilidade do Braga. No segundo tempo, além da agressividade com e sem a bola, pareceu haver um melhor tempo nas movimentações de Sudakov e Aursnes para zonas interiores, permitindo que os laterais mantivessem a largura. Gostaria de perguntar se esses foram os fatores-chave para a reação do Benfica na segunda parte e se ajudam a entender o empate?
José Mourinho: Eu realmente gosto de conversar com você e seus colegas do Bola na Rede. Mas como mencionei antes, jogamos contra o Braga na próxima semana e não quero me aprofundar nesse assunto, prefiro focar na praticidade das coisas. Na primeira parte, sim, o Braga nos causou dificuldades; na segunda parte, nós é que dominamos, controlamos o jogo e criamos dificuldades para o Braga. As razões pelas quais isso aconteceu de forma distinta nas duas metades é algo que prefiro não discutir. Se eu tivesse que enfrentar o Braga em quatro meses, teria maior prazer em discutir esses detalhes, mas estamos jogando contra eles na próxima semana.

