Quase 100 ministros do Partido Trabalhista pediram a renúncia do primeiro-ministro Starmer. Wes Streeting deve se encontrar com Starmer amanhã de manhã para questioná-lo sobre como ele planeja resolver os problemas. Se isso resultar em uma solicitação para que Starmer renuncie, Miliband disputará a liderança do Partido Trabalhista, mas o processo é um pouco complicado.
Abaixo, o detalhamento do processo:
Etapa 1 — A renúncia em si
Se Starmer decidir sair, ele formalmente apresentará sua renúncia ao Rei Charles III no Palácio de Buckingham. Como discutido anteriormente, amanhã acontece o Discurso do Rei — a Abertura do Parlamento — o que é uma das razões pelas quais potenciais desafiantes têm aguardado. Uma renúncia durante essa cerimônia seria constitucionalmente extraordinária, então a janela mais provável seria logo após.
Etapa 2 — Iniciando o concurso pela liderança do Partido Trabalhista
Aqui é onde as coisas se complicam. Diferentemente dos Conservadores, o Partido Trabalhista não simplesmente vota pela falta de confiança em um líder. Um concurso formal exige que pelo menos 81 deputados do Partido Trabalhista — 20% dos 403 membros do Partido Trabalhista no Parlamento — nomeiem um candidato. É crucial que esses apoiadores tornem suas escolhas públicas, já que não há voto secreto nessa fase de nomeação. Starmer, se decidir lutar em vez de renunciar, entraria automaticamente na cédula.
Etapa 3 — Quem pode realmente se candidatar?
Aqui a situação dos favoritos se torna confusa agora:
- Wes Streeting — Secretário de Saúde, visto como o candidato da ala mais à direita, tem se mantido em silêncio, mas agora afirma que se candidatará.
- Angela Rayner — Ex-vice-primeira-ministra, tem bom desempenho nas pesquisas com a base, mas atualmente está impedida por uma investigação fiscal não resolvida sobre suas questões de imposto de selo. Não pode se candidatar credivelmente até que isso seja esclarecido.
- Andy Burnham — Favorito do público segundo as pesquisas, mas enfrenta um obstáculo fundamental: ele não é deputado. Precisaria vencer uma eleição suplementar antes mesmo de ser nomeado — um processo que leva semanas e foi anteriormente bloqueado pelo próprio Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista.
- Shabana Mahmood — A Secretária do Interior não negou suas ambições de liderança e recebeu o que foi amplamente visto como um endosse de Tony Blair em um recente evento de destaque.
Etapa 4 — A votação em si
Uma vez que os candidatos sejam nomeados, o concurso vai a um voto completo dos membros do Partido Trabalhista e dos membros dos sindicatos afiliados em todo o país — não apenas os deputados. Isso é significativo porque a base tende a ser mais à esquerda do que o partido no Parlamento, o que pode favorecer um candidato mais progressista em detrimento de um centrista como Streeting. O vencedor precisa de uma maioria dos votos combinados.
Etapa 5 — Tornando-se Primeiro-Ministro
O líder do Partido Trabalhista não se torna automaticamente PM no momento em que vence o concurso. O Rei convida a pessoa que possui a maioria na Câmara dos Comuns para formar um governo. Dada a grande maioria do Partido Trabalhista, o novo líder provavelmente seria convidado a se tornar PM — mas há um passo formal constitucional de ir ao Palácio primeiro.
O problema do cronograma
Todo o processo pode levar seis a dez semanas — uma eternidade, dada a instabilidade política e econômica que já está abalando os mercados de gilts no Reino Unido hoje. Essa é precisamente a razão pela qual mais de 100 deputados do Partido Trabalhista assinaram uma carta hoje afirmando “este não é o momento para um concurso de liderança” — a interrupção de uma vaga prolongada no topo, sem um claro favorito capaz de assumir, pode ser o argumento mais forte que mantém Starmer no cargo por enquanto.

