Ninguém Reclamou o Corpo de Cláudio Valente, Assassino de Nuno Loureiro

Ninguém Reclamou o Corpo de Cláudio Valente, Assassino de Nuno Loureiro

O corpo de Cláudio Valente, o serial killer responsável pelo assassinato de Nuno Loureiro e de dois estudantes da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, ainda não foi reclamado.

Segundo o Correio da Manhã, que trouxe a informação, o assassino, oriundo do Entroncamento, poderá ser sepultado como indigente no lado americano do Atlântico, a menos que sua família, de classe média, mas com quem ele rompeu vínculos, assuma as despesas funerárias ou providencie o envio dos restos mortais para Portugal.

Desde que se confirmou que Cláudio Valente, que morreu por um tiro auto-infligido, era o responsável pelos três homicídios, diversas opiniões foram levantadas a seu respeito. A maioria em tom crítico.

Um dos últimos depoimentos veiculados pela imprensa norte-americana é de um ex-amigo. À CBS, Scott Watson, professor de física na Universidade de Syracuse, contou que conheceu Cláudio Valente enquanto ambos estudavam na Universidade de Brown, entre 2000 e 2001.

Naquela época, Cláudio já era considerado “socialmente esquisito” e dava sinais de dificuldade em controlar sua “raiva”.

“Eu era praticamente seu único amigo”

“Quando éramos colegas em Brown, eu era praticamente seu único amigo. Ele era socialmente diferente e eu também, o que talvez explique a conexão que tivemos. Durante a semana de integração, ele estava sempre sozinho. Eu me aproximei e o cumprimentei. No início, ele estava reservado, mas consegui quebrar o gelo e nos tornamos amigos”, disse Scott Watson à CBS.

Apesar disso, o professor reconhece que os sinais de comportamento estavam “sempre presentes”, uma vez que Cláudio frequentemente se mostrava “frustrado” e “irritado com as aulas, os professores e suas condições de vida”.

“Ele costumava dizer que as aulas eram fáceis demais – e, para ele, de fato eram. Ele já conhecia a maior parte dos conteúdos. Era realmente impressionante. Lembro que ele frequentemente se queixava da qualidade da comida na universidade, especialmente da falta de peixe de qualidade”, compartilhou.

Uma postagem no Reddit pode ter sido fundamental para a identificação de Cláudio Manuel Neves Valente, suspeito de um ataque na Universidade de Brown e do assassinato do físico português Nuno Loureiro. A publicação mencionava um Nissan cinza com placas da Flórida que Valente estaria dirigindo.

Notícas ao Minuto | 12:21 – 19/12/2025

A última vez que Scott se comunicou com Cláudio foi em 2003. “Ele me disse que voltaria para Portugal, embora pareça que isso nunca aconteceu”, observou.

Em entrevista à CNN internacional, o mesmo professor já havia admitido que, apesar de sua relação amistosa com Cláudio, ele reclamava frequentemente da vida nos EUA e demonstrava “raiva”. Em uma situação, ele teve que “intervir em uma briga” entre Cláudio e um colega, a quem ele agrediu verbalmente.

Contudo, Scott também guarda boas memórias do amigo. “Lembro-me dos jantares que tivemos em um restaurante português próximo ao campus, que foram realmente agradáveis. Ele podia ser gentil e amável, embora muitas vezes ficasse frustrado e irritado”, enfatizou.

Vale lembrar que Cláudio Valente, de 48 anos, foi identificado como o principal suspeito do ataque perpetrado em 13 de dezembro na Universidade de Brown, que resultou na morte de dois estudantes e deixou outros nove feridos.

As autoridades americanas confirmaram posteriormente que Cláudio também era o suspeito do assassinato do professor de física e diretor do MIT, Nuno Loureiro, que foi baleado em sua residência em Brookline, Massachusetts, na noite de 15 de dezembro.

O funeral de Nuno Loureiro também ainda não foi realizado

Até o momento, o funeral de Nuno Loureiro não aconteceu. Há indícios de que as cerimônias fúnebres devam ocorrer nos EUA, onde o respeitado pesquisador residia com a esposa e os três filhos.

Enquanto isso, amigos da família iniciaram uma campanha pública para auxiliar na educação das crianças. Até agora, já foram arrecadados mais de 260 mil euros.

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