O ministro da Educação enfatizou, em uma cerimônia realizada em Lisboa na semana passada, que as residências públicas devem incluir estudantes de diferentes camadas sociais; caso contrário, ao priorizar apenas os bolsistas, elas podem deteriorar-se mais rapidamente.
Mais tarde, em comentários feitos à RTP-Notícias, o ministro alegou que suas palavras foram mal interpretadas: “O que eu disse é que, quando tenho um serviço público que é usado apenas por pessoas que não têm voz, que são de rendimentos mais baixos, por razões de gestão, o serviço se degrada”, afirmou Fernando Alexandre.
Em uma entrevista ao jornal digital ECO publicada na última sexta-feira, Fernando Alexandre mencionou que a RTP estava presente durante toda a sessão, sugerindo que a escolha do trecho transmitido não foi ao acaso.
“A direção deve investigar por que razão a jornalista escolheu aquele trecho. Quem esteve na sessão não ficou com a impressão que a RTP passou. Eu fiz um discurso extenso e contextualizei aquilo que estava a dizer”, destacou na entrevista.
O Conselho de Redação da RTP (CR-TV) enfatizou hoje que a entrevista de Fernando Alexandre ao ECO “contém afirmações que comprometem, de forma grave e sem justificação, o bom nome, o profissionalismo, a integridade e a ética” da redação.
“As referências a supostas ‘agendas ocultas’ e à ‘incompetência’ não são meras críticas: são acusações que impactam diretamente a credibilidade da informação da RTP e seus profissionais”, consta em um comunicado enviado à Lusa.
Para o CR-TV, as declarações do ministro da Educação não devem passar “sem resposta” e urge que a Direção de Informação tome uma “posição pública firme, repudiando as insinuações e reafirmando a independência editorial, a exatidão e a ética” do trabalho jornalístico.
O CR-TV ainda recomendou que a Direção de Informação “esclareça os critérios editoriais que fundamentaram a peça em questão, assegurando transparência perante o público” e “reforce o compromisso com o serviço público, lembrando que a RTP não serve agendas, mas sim os cidadãos, com informação verificada, diversa e responsável”.
Ainda assim, o CR-TV ressaltou que o Conselho de Administração também “tem o dever de proteger o bom nome da RTP e de seus profissionais, garantindo que tais acusações não comprometam a confiança no jornalismo” praticado.
“Este é um momento para união e firmeza. A nossa história e a nossa missão exigem que respondamos com clareza e dignidade”, acrescentou.
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