Duas em Três Consultas para Inseminação Fora do Tempo Máximo

Duas em Três Consultas para Inseminação Fora do Tempo Máximo

Segundo um relatório divulgado hoje pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), as esperações para técnicas de segunda linha, que são mais complexas e invasivas, como a fertilização in vitro (FIV) e a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), revelaram medianas de tempo de espera elevadas.

No que se refere à FIV e à ICSI, o tempo de espera superou um ano.

A ERS explica que o aumento do tempo de espera para acesso às técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) de segunda linha pode ser atribuído à complexidade envolvida nessas técnicas.

Nos dados apresentados hoje — também publicados no jornal Público — a ERS destaca que foi possível medir o tempo de espera apenas para uma amostra restrita de utilizadores (23,7%), devido às limitações nos sistemas informáticos disponíveis nas unidades hospitalares.

No que diz respeito às técnicas de primeira linha, como a inseminação artificial, em 2024 havia nove centros públicos autorizados a utilizar técnicas de PMA e 17 centros privados, sendo que as NUTS II do Oeste e Vale do Tejo e do Alentejo (nomenclaturas de unidades territoriais para fins estatísticos) não dispunham de oferta pública ou privada. Em contrapartida, a NUTS II do Norte tinha o maior número de centros disponíveis.

Além disso, a ERS registra um aumento de 20,5% nas primeiras consultas realizadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com uma mediana de 142 dias para o tempo de espera para essa consulta inicial e uma taxa de incumprimento do tempo máximo de resposta garantido (TMRG) de 68,5%, o que representa uma redução de 26 dias e de 13,5 pontos percentuais em relação a 2023.

Ainda segundo o relatório, houve “um aumento consistente” no número de utentes em lista de espera para a primeira consulta desde 2021, constatando-se que, no final do ano passado, 43,0% dos utentes aguardando por uma consulta de apoio à fertilidade já tinham ultrapassado o tempo máximo recomendado.

O número de primeiras consultas de apoio à fertilidade também cresceu, o que foi acompanhado pelo aumento do total de técnicas de primeira linha realizadas nos centros públicos de PMA. A “única exceção” ocorreu em 2023, “devido à diminuição da inseminação artificial intrauterina (IA), que tem sido observada nos últimos quatro anos”, aponta a ERS.

Relativamente ao acesso às técnicas de segunda linha, a nível regional, as NUTS II da Península de Setúbal e da Grande Lisboa apresentaram as medianas de tempo de espera mais altas para o período avaliado.

Nos centros privados também se observou um aumento na quantidade de ciclos realizados, que a ERS justifica pelo crescimento no número de FIV/ICSI, uma vez que as inseminações artificiais realizadas também diminuíram.

A atividade dos centros privados localizados na NUTS II da Grande Lisboa representou 54,1% de toda a atividade do setor privado em PMA.

No contexto deste estudo, a ERS afirmou ter realizado diversos pedidos de colaboração institucional, nomeadamente ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, que reconheceu a “necessidade urgente de investimento em recursos humanos, infraestruturas, equipamentos e sistema de informação”, segundo o regulador.

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