Governo forma grupo de trabalho para criação do Campus de Justiça no Porto

Governo forma grupo de trabalho para criação do Campus de Justiça no Porto

Segundo um comunicado assinado pela secretária de Estado da Justiça, Ana Luísa da Silva Gonçalves Machado, o documento deve trazer as “linhas orientadoras” para a formação do Campus de Justiça do Porto, que deverá reunir “organismos, serviços e tribunais atualmente dispersos em diferentes locais” dentro do município.

No relatório, o Governo destaca que as instalações do concelho do Porto vinculadas ao Ministério da Justiça, que envolvem tribunais, organismos e serviços desse ministério, “estão dispersos em diversos edifícios, totalizando mais de 70.000 m² [metros quadrados] de área bruta”, com um custo para o Estado em aluguéis que ultrapassa 2,5 milhões de euros.

Adicionalmente, o texto menciona que “a condição e a antiquidade de alguns edifícios e instalações do Ministério da Justiça no Porto evidenciam a urgência de, a curto e médio prazo, reorganizar tribunais, organismos e serviços em novas instalações ou de realizar altos investimentos em reformas e reabilitações gerais”.

Desse modo, o Governo decidiu estabelecer a “constituição de um Grupo de Trabalho com a finalidade de definir, desenvolver e apresentar um Plano Estratégico para a agregação dos serviços, organismos e tribunais, além da inclusão de uma futura Casa Barnahus [abrigo para proteção de crianças], em um futuro Campus da Justiça do Porto”.

Este plano “deve ser apresentado por este Grupo de Trabalho, na forma de um relatório, até o dia 31 de maio de 2026”, devendo incluir “a elaboração de cenários ou modelos de organização e agregação, com as respectivas vantagens, desvantagens, consequências, condições de implementação e cronograma previsto para a execução, considerando o impacto financeiro que cada uma das propostas terá no orçamento da Justiça”.

Sobre o grupo de trabalho, o despacho menciona que contará com representantes do Ministério da Justiça, da direção do IGFEJ, que desempenhará o papel de entidade coordenadora, da Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), do Instituto de Registos e Notariado (IRN), da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) e da Polícia Judiciária (PJ).

O grupo também incluirá representantes do Conselho Superior da Magistratura (CSM), do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) e do Ministério Público (MP) – especificamente, da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os integrantes do grupo de trabalho não receberão remuneração.

Em dezembro de 2019, o governo liderado por Rui Moreira anunciou que o Estado pretendia retomar o projeto do Campus da Justiça na Quinta de Santo António, cuja primeira pedra foi lançada em agosto de 2009.

A proposta, que deveria ser concluída até 2012, acabou sendo abandonada.

Na época, o projeto para a Quinta de Santo António fazia parte de um plano mais amplo para a área da Lapa e seus arredores, prevendo a construção de uma residência estudantil de 15 mil metros quadrados, uma área de equipamentos de 30 mil metros quadrados e outra de habitação, comércio e serviços de 21.500 metros quadrados.

Com uma área de intervenção de mais 56 mil metros quadrados, sendo 78% de propriedade do Estado e 22% de particulares, esse projeto ainda contemplava uma zona verde, que foi concretizada e inaugurada em dezembro de 2024, denominada Parque Urbano Mário Soares.

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