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FC Porto e Sporting voltaram a cruzar-se na cidade do Porto para um clássico que, embora prometesse muito, acabou por ser decepcionante. Este jogo, de grande importância para a disputa do título, gerou uma expectativa considerável sobre o seu desenrolar e o resultado final. Sob o olhar atento de uma águia sonhadora, Portugal viu como Farioli e Rui Borges se respeitaram durante o jogo, e, apesar da abordagem proativa do treinador italiano, o empate acabou por ser uma conclusão justa.
Durante mais de sessenta minutos, as balizas pareceram meros detalhes decorativos em um campo que parecia suspenso no tempo. O encontro caracterizou-se por uma batalha travada no meio-campo, onde as dinâmicas de ambas as equipes foram fundamentais para entendermos o desenrolar do jogo.
O FC Porto seguiu seu padrão habitual, com uma formação 1x4x3x3, onde é evidente a movimentação exterior dos laterais e extremos. O Sporting, por sua vez, optou por uma estrutura defensiva típica contra os dragões, organizando-se num 1x4x4x2 em um bloco médio, onde Pedro Gonçalves e Luis Suárez tentavam limitar as ações de Alan Varela, bloqueando as ligações entre ele e os centrais. Vale destacar que Trincão ficou em uma posição desconfortável, deslocado para a ala esquerda para garantir um melhor equilíbrio defensivo à equipe.
Conhecendo bem esse sistema, os dragões procuraram romper sua defesa usando o princípio do terceiro homem: principalmente, através de Samu, que frequentemente se posicionava para conectar com Alan Varela, permitindo que ele recebesse a bola em uma área mais protegida da pressão do Sporting. Em outras situações, os médios do Porto, também sob marcas homem-a-homem, faziam movimentações circulares para se desvencilhar de seus defensores e criar oportunidades para Alan Varela da mesma forma.
Contudo, mesmo quando o médio argentino conseguia receber a bola com o jogo à sua frente, permitindo que a equipe avançasse para o bloco do Sporting, foram raras as ocasiões em que os da casa conseguiram dar seguimento às jogadas e criar verdadeiros perigos. O lado esquerdo do Porto mostrou-se muitas vezes pouco criativo, com qualquer lampejo de inventividade surgindo essencialmente de Pepê e Alberto Costa, sempre vigiados de perto por Maxi Araújo e Trincão.
Por parte do Sporting, não houve muita disposição para assumir riscos, considerando a estratégia adotada por Rui Borges e o fato de que Pedro Gonçalves ainda não estava em sua melhor forma física, juntamente com Trincão fora de posição e um Luis Suárez pouco incisivo. A inclusão de Morita no onze titular teve seu fundamento no equilíbrio defensivo, visto que o japonês é capaz de segurar a bola e distribuí-la com mais critério, ao contrário de João Simões, que apresenta mais habilidade em avançar, mas acelera o ritmo do jogo.
As oportunidades em que o Sporting tentou construir a partir da defesa foram escassas, com o time circulando a bola e procurando não se intimidar pela pressão alta do Porto. Diferentemente do time da casa, o Porto exerceu uma pressão intensa e agressiva. No entanto, o Sporting não conseguiu fazer a transição da pressão do Porto, apenas circulou a bola com segurança, mas enfrentou dificuldades para conectar os setores. Aliás, os melhores momentos da equipe na primeira parte surgiram em transições, aguardando erros do adversário, mas falhando nas finalizações.
O FC Porto conseguiu abrir o placar em uma jogada persistente que teve início no banco. Farioli foi proativo após fazer algumas entradas com Rodrigo Mora e Seko Fofana, o que acabou por fortalecer a equipe. Vez por outra, Alan Varela se deslocava para uma posição mais defensiva ao lado dos centrais, permitindo a Fofana explorar seu espaço habitual – esta dinâmica não era nova para os dragões (exceto pela estreia de Fofana), mas representa uma solução a ser considerada, garantindo uma vantagem numérica para o Porto naquela região do campo (3×2) e criando incertezas na defesa adversária.
Rodrigo Mora foi crucial por trazer ao Porto o que faltava após a superação da primeira linha de pressão do Sporting: calma e critério. Isso se refletiu no primeiro gol, onde o Porto progrediu pela direita, utilizando um automatismo que já era conhecido (um extremo desce junto à linha enquanto o lateral ataca o espaço por dentro). Quando a bola chegou a Rodrigo Mora, ele não a colocou na área de forma apressada, mas esperou a chegada de seus companheiros, fazendo o cruzamento no momento em que sua equipe tinha vantagem numérica. Este gol pode ser visto tanto como fruto da insistência quanto como resultado de uma sorte que ocorreu graças ao trabalho anterior.
Com a necessidade de pontuar e aproveitando que o Porto recuou suas linhas para uma linha de cinco, Rui Borges fez suas substituições, que resultaram em um impacto positivo: com a entrada de Luis Guilherme e Faye, Trincão retornou à sua posição original, ganhando mais liberdade para se movimentar, enquanto Daniel Bragança trouxe uma maior capacidade de ligação.
No melhor desempenho do Sporting, utilizando um 1x3x2x5 no meio-campo adversário (Fresneda centralizando, Maxi Araújo avançando pelo lado esquerdo), a equipe igualou a linha de cinco do Porto com cinco elementos, aumentando a pressão e criando mais situações de perigo em apenas dez minutos do que em todo o restante do jogo. Com a posse de bola, claramente em uma situação mais confortável, conseguiram até ganhar um pênalti que garantiu o empate.
Não será um clássico que será lembrado com frequência no futuro, mas sim um jogo contido, onde ambas as equipes não conseguiram encontrar soluções criativas para ferir o oponente. O resultado final reflete o equilíbrio entre FC Porto e Sporting, mantendo viva a disputa pelo título.

