Um homem de 43 anos assassinou o filho da sua ex-companheira, um menino de 13 anos, usando uma faca, na tarde de terça-feira, 23 de dezembro, em Casais, Tomar. Ele também tentou explodir a residência da família. Sabe-se que o suspeito, de cidadania portuguesa, que também veio a falecer, tinha antecedentes criminais, incluindo uma condenação por homicídio qualificado.
O que se sabe até agora sobre o incidente?
O crime
O homem, de 43 anos, tirou a vida do seu enteado de 13 anos e feriu a ex-companheira, mãe da criança, que não corre risco de vida. Ambos, a criança e a mãe, são de nacionalidade britânica.
Segundo fontes da Polícia Judiciária (PJ) ao Notícias ao Minuto, o homicídio aconteceu no contexto de uma situação de violência doméstica. O casal estava separado, mas o homem não aceitava o fim da relação, o que levou ao trágico desfecho onde ele também tirou a própria vida após o ato.
A PJ informou que foram encontradas “três botijas com gás abertas” na residência.
Mais tarde, uma fonte da Guarda Nacional Republicana (GNR) revelou ao Notícias ao Minuto que ocorreu uma explosão e que um dos agentes ficou ferido com estilhaços de uma janela, embora sem gravidade.
Os militares da GNR foram acionados para o local às 12h45, após um alerta sobre agressões no contexto de um caso de violência doméstica. Ao chegarem, depararam-se com uma cena de homicídio seguido de suicídio.
Vizinho relatou ter ouvido mulher “gritar por ajuda”
O presidente da Junta de Freguesia de Casais, Luís Freire, comentou que já tinham ocorrido “vários episódios violentos” por parte deste homem em relação à ex-companheira, e “desta vez, a situação piorou muito”.
O autarca afirmou que esta situação de violência era conhecida na aldeia. “Havia outros incidentes de violência; a GNR estava ciente, mas, desta vez, o homem cometeu esta atrocidade nesta época”, enfatizou.
Um vizinho relatou que ouviu a mulher, que sofreu ferimentos leves, “gritar e pedir ajuda” na rua, acompanhada por um cachorro da raça pastor-alemão. Segundo os relatos, a mulher apresentava marcas nos pulsos e tornozelos, indicando que poderia ter sido amarrada.
“Ela estava muito assustada, com muitas feridas no rosto. Parecia que tinha até alguns dentes quebrados. Estava muito machucada e com muito sangue nas mãos”, contou Jaime Lopes, acrescentando que não percebeu de imediato a gravidade da situação.
A mãe e o filho residiam na área “há cerca de dois anos”, e os vizinhos ocasionalmente ouviam “discussões” na casa. “A única coisa que pensávamos era que ‘qualquer dia algo poderia acontecer’ porque ele [o agressor] não era uma pessoa boa”, explicou Jaime Lopes.
Suspeito já tinha cumprido pena por homicídio
A mãe do menino, segundo a SIC Notícias, já havia formalizado uma queixa contra o homem por violência doméstica. A denúncia teria sido feita em 2023, quando o casal se separou. No entanto, o suspeito não aceitava o término da relação.
A PJ também informou à Lusa que o suspeito possuía antecedentes criminais e já havia cumprido pena de prisão.
O caso “está sendo investigado por inspetores e membros da polícia científica”, declarou à agência Lusa a coordenadora da Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, Sílvia Lopes, confirmando “o registro de duas mortes e duas pessoas feridas”.
Após isso, em um comunicado, a PJ afirmou que o “suposto agressor já havia cumprido pena de prisão por homicídio qualificado e que a família estava sinalizada em relação a processos de violência doméstica registrados em 2022 e 2023”.
A mesma autoridade também informou que a família já estava sinalizada por questões de violência doméstica.
Vale destacar que o caso está sob investigação pela PJ, que afirma estar “realizando diligências investigativas para esclarecer as circunstâncias” das duas mortes ocorridas na terça-feira, na freguesia de Casais em Tomar.
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