PJ investiga tiroteio na Póvoa de Lanhoso: Família cigana faz acusações

PJ investiga tiroteio na Póvoa de Lanhoso: Família cigana faz acusações

A Polícia Judiciária (PJ) iniciou uma investigação sobre um tiroteio que ocorreu em Friande, na Póvoa de Lanhoso, direcionado a uma casa alugada por uma família de etnia cigana, na tarde de sexta-feira. Uma das moradoras utilizou as redes sociais para fazer acusações contra o proprietário, que supostamente pediu à família que deixasse a casa “de forma amigável ou forçada”.

De acordo com a queixa da família, que residia no local havia apenas uma semana, o senhorio, ciente através de terceiros da origem étnica dos inquilinos, exigiu que eles saíssem do imóvel. “A minha sogra arrendou uma casa e pagou a renda. Após uma semana, enquanto já estávamos lá, [o senhorio] afirmou que a casa não estava legal. […] Ele admitiu que a razão era nossa etnia cigana”, contou uma das residentes.

A mulher ainda relatou que o proprietário interrompeu o fornecimento de água, pressionando para que a família deixasse a casa imediatamente.

Na sexta-feira, segundo ela, “três carros da familia” do proprietário chegaram ao local “armados, com paus e tudo” e começaram a “disparar dentro de casa”. Além dos danos visíveis na residência, o carro do marido de uma das moradoras também foi alvo de disparos.

Danos no interior da residência© Reprodução/Facebook

“Eles foram diretamente atrás do meu marido. Ele tentou escapar e eles dispararam dois tiros contra o capô e atingiram-no com um pau. A carrinha despencou, mas ele conseguiu fugir. […] As crianças tiveram que se esconder debaixo da cama. […] Bateram no meu cunhado, que tem 14 anos”, relatou a mulher, que acrescentou que lhe confiscarem o celular e a agrediram na mão com uma das armas.

A residente, que ficou “desabrigada” e com “apenas a roupa que vestia”, declarou que o ataque foi “uma tentativa de homicídio”. “Veio para nos empurrar para a morte. Foi um verdadeiro pesadelo”, afirmou.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia Judiciária (PJ) foram acionadas. ONotícias ao Minuto entrou em contato com as autoridades, e a PJ confirmou que está “a investigar um tiroteio ocorrido” na referida localidade. Até o momento, a GNR não ofereceu mais informações.

A fundadora da Associação Rizoma, Vanessa Lopes, declarou nesta segunda-feira que “não são apenas os ciganos que devem respeitar as leis”, após o Tribunal Local Cível de Lisboa ter ordenado que André Ventura retirasse, em um prazo de 24 horas, todos os cartazes que instalou em vias públicas e em diversas localidades do país com a frase ‘os ciganos devem cumprir a lei’.

Daniela Filipe | 18:14 – 22/12/2025

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