"2.800 Pessoas Que Não Deveriam Estar Internadas"

2.800 Pessoas Que Não Deveriam Estar Internadas

O diretor do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Santos Almeida, afirmou nesta quarta-feira que existem aproximadamente 2.800 casos de “pessoas que não deveriam estar internadas em hospitais de agudos”, sendo que cerca de mil desses casos são “internamentos puramente sociais”. Apesar de identificar essa situação, o responsável reconhece que a solução não estará disponível até o final do ano.

“É uma realidade que temos no SNS, onde cerca de 2.800 pessoas estão internadas em hospitais de agudos sem necessidade, seja porque deveriam já ter sido transferidas para camas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, ou porque deveriam ter sido encaminhadas para soluções sociais”, explicou Álvaro Santos Almeida durante uma visita ao Hospital Eduardo Santos Silva, em Vila Nova de Gaia.

“Naturalmente, se conseguirmos resolver essas duas questões, teremos mais disponibilidade de leitos nas unidades de agudos”, acrescentou.

Ao ser questionado pela imprensa a respeito desses números, o responsável esclareceu que “2.800 é o total de internamentos que inclui a rede nacional de cuidados continuados e os internamentos sociais”.

“No que diz respeito à rede nacional de cuidados continuados, há cerca de 1.500 camas autorizadas para serem abertas nos próximos meses — por aí virá uma resposta significativa às necessidades”, revelou, informando que o Governo está buscando soluções para os “cerca de 800 a mil casos que se referem a internamentos puramente sociais”.

Álvaro Santos Almeida esclarece que os números variam, pois 740 casos já estão “devidamente reconhecidos e validados como necessitando de uma resposta social”, mas existem outros casos que os hospitais identificam como internamentos sociais, contudo, que “ainda não foram reconhecidos pela Segurança Social”.

“Essa diferença explica algumas divergências nos números. Mas estamos falando de cerca de 1.000 casos sociais e 2.000 [nos demais]”, resumiu.

Quanto à solução para essas situações, o diretor do SNS admite que não virá “certamente a tempo do final do ano e das próximas semanas”.

Na segunda-feira, a ministra da Saúde estimou que existam mais de 1.200 casos sociais nos hospitais, de pessoas com alta clínica, mas sem alternativas adequadas, e afirmou que nos próximos dias deverá haver solução para algumas centenas.

“Estamos trabalhando há cerca de um ano com a Segurança Social. Espero que em breve possamos ter novidades sobre essa questão”, disse a ministra Ana Paula Martins, após uma visita ao Hospital de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa.

A ministra espera encontrar soluções “para pelo menos algumas centenas de pessoas”, para que “possam deixar os hospitais, onde não deveriam estar”.

“É um grande risco ter um utente que já tem alta clínica e que não precisa estar em um hospital”, enfatizou.

A governante reconheceu que “não é de um dia para o outro” que se conseguem vagas para essas pessoas e explicou que, a nível nacional, aos 800 utentes que já estavam contabilizados com alta clínica, mas sem outra resposta, se somaram mais 400.

“É uma situação que não se pode manter. Estamos na semana do Natal, na semana do Ano Novo e é necessário ter camas disponíveis para internar pessoas que realmente necessitam”, acrescentou.

[Notícia atualizada às 16h10]

O aumento de pacientes com alta clínica retidos em hospitais por razões sociais é um dos principais desafios na gestão de leitos hospitalares, impactando a resposta nos serviços de urgência e impedindo a realização de cirurgias.

Lusa | 07:30 – 20/12/2025

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